DISCURSO PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 2009

Caros Colegas da APÓS-FURNAS

Voltamos hoje a este magnífico lugar, a Confeitaria Colombo, local emblemático do Rio Antigo, para homenagear a todas nós mulheres, com um chá tradicional em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, pelas lutas e sucessos alcançados ao longo do tempo.
O dia 8 de março é comemorado como o Dia Internacional da Mulher, mas não se trata de mera data comercial. Existe um fato histórico que justifica a celebração.
O Dia Internacional da Mulher foi criado em homenagem a 129 operárias que morreram queimadas numa ação da polícia para conter uma manifestação numa fábrica de tecidos. Essas mulheres estavam reivindicando a diminuição da jornada de trabalho de 14 para 10 horas por dia e o direito à licença-maternidade. Isso aconteceu em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O Dia da Mulher se tornou oficial em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, e tem como proposta o debate e a reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, seus avanços e as formas de desvalorização que ainda insistem em persistir.
É longo o caminho das mulheres em busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional. Mas hoje já alcançamos importantes avanços em todos os ramos das atividades econômicas e culturais. É o que se vê no mundo, com diversos exemplos de mulheres nos mais altos cargos dos poderes executivo, legislativo e judiciário e também nos principais postos empresariais e nos movimentos sociais e culturais. Entretanto, diversas culturas ainda subjugam a liberdade e delimitam o espaço da mulher na sociedade.
Em nosso país as mulheres são um contingente importante no mercado de trabalho e fazem a diferença no processo de desenvolvimento. De acordo com dados da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE houve aumento na proteção social das mulheres trabalhadoras de 61,9% em 2006 para 62,8% em 2007, passando de 21,6 milhões de trabalhadoras para 22,3 milhões de mulheres ocupadas entre 16 e 59 anos de idade. Hoje constatamos um grande contingente de mulheres que são consideradas “chefes de família” com as responsabilidades do sustento da família e que vem crescendo, de 18,6 milhões em 1996 para 19,8 milhões no ano seguinte, conforme dados do Ministério da Previdência Social. Também no âmbito da previdência social, dos 25 milhões de benefícios pagos pelo INSS, 57% foram para as mulheres.
No Balanço Social que hoje as empresas anualmente apresentam, a preocupação é em monitorar a evolução das mulheres no ambiente de trabalho.
Em nossa sociedade diversos grupos vêm sendo formados no sentido da equidade entre homens e mulheres na sociedade. No âmbito federal, a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República e o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, confirma o compromisso de promoção da igualdade entre os sexos inscrito na Constituição Federal de 1988. Em FURNAS foi criado em 2004 o Grupo Gênero, composto por representantes de todas as Diretorias e pertencente a estrutura organizacional da Presidência, com o objetivo de criar mecanismos que assegurem a equidade de gênero e a valorização da mulher no âmbito da empresa e comunidades onde atua. Já se pode observar o crescimento no contingente de empregadas que passou de 423 em 2003, para 605 em 2007, crescimento de 43%, enquanto o total de empregados (as) no mesmo período cresceu 32%. Em termos de ocupação de chefias, neste mesmo período, o percentual de mulheres subiu de 10% para 11%. Não se dispõe de dados entretanto, quanto a remuneração praticada entre homens e mulheres.
Na prática tanto em FURNAS, ELETRONUCLEAR, REAL GRANDEZA, CAEFE, CECREMEF e na própria APÓS-FURNAS as mulheres vêm ocupando mais espaço e prestando uma significativa contribuição no processo de crescimento destas empresas e entidades.
Na APÓS-FURNAS, dos 3.656 associados, em dezembro de 2008, 25% são de mulheres, sendo que entre os associados colaboradores (ativos) este percentual já é de 31%. Nos cargos de direção, por diversas vezes as mulheres já ocuparam os mais importantes postos, Presidente do Conselho Deliberativo e Diretor Presidente, sem falar nas inúmeras mulheres que voluntariamente contribuíram como Diretoras, Conselheiras e Representantes Regionais ao longo destes 24 anos de nossa Associação e a quem desejamos hoje homenagear.
Mas, por outro lado, as estatísticas crescentes de violência contra as mulheres, em todos as classes sociais de nosso país, que vêm sendo registradas, são assustadoras e sintomáticas. Em todo este processo os homens sentem-se ameaçados pela perda de espaço que vem ocorrendo gradativamente em todos os setores.
Sabemos que o processo de mudança é longo e constante. Que passamos pela pílula anticoncepcional que tornou a mulher mais independente no domínio de seu corpo, pelo movimento feminista exagerado, tentando nos tornarmos homens e estamos vivenciando hoje a importância da manutenção de nossas diferenças em relação ao sexo oposto.
Conclamo a todas as mulheres pela conscientização de que a luta pelos nossos direitos não pode se tornar a luta pela eliminação das características dos homens, fazendo com que haja apenas uma inversão de posições na sociedade.
Colegas mulheres e homens
As mulheres não são melhores nem piores do que os homens. São apenas diferentes, com características distintas e importantes, tanto quanto as dos homens, e estão prontas para, juntamente com os homens, construir um mundo melhor, um mundo de todos nós.

* Discurso proferido em 10.03.2009, por Tania Vera Vicente
Confeitaria Colombo, Centro do Rj